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Qual é a tua tribo?

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13 Out, 2014

Tribo

“Nenhum homem é uma ilha,

Completa em si mesma,

Cada homem é um pedaço do continente,

Uma parte do principal.”

John Donne

Por vezes tenho a sensação de que não temos uma consciência verdadeira sobre a necessidade que temos de nos mantermos próximos uns dos outros, de mãos dadas e juntos a apoiarmo-nos nesta jornada.

Nós somos uma tribo.

No passado, e por necessidade, a família/tribo mantinha-se unida. A tradição e a necessidade foram alimentando a prevalência desta união, que se prolongou por vários séculos. No entanto, e com o avanço da industrialização, as pessoas começaram a afastar-se umas das outras, agarrando-se à ilusão de que são independentes e auto-suficientes. A priorização da profissão e a autonomia financeira que cada indivíduo começou a alcançar, contribuiram para que a necessidade que as pessoas sentiam em manterem-se próximas da tribo se fosse desvanecendo. Achavam que já não precisavam dela e, sem se aperceberem, foram recortando um pedaço do “continente” e tornando-se numa “ilha”, à deriva, sozinhos, no meio do oceano.

Nós precisamos da nossa tribo, desde o primeiro até ao nosso último sopro.

Nós precisamos uns dos outros. A nossa existência – hoje, aqui, neste preciso momento – apenas é (foi e será) possível devido à colaboração de outros membros da nossa tribo, que desde logo cuidaram de nós, possibilitaram o nosso crescimento e nos ensinaram a sermos humanos. Somos muito mais vulneráveis e dependentes do que o que pensamos e se não fossem outras mãos a contribuírem para a nossa caminhada, não teríamos sido capazes nem de chegar à primeira etapa. O único entrave para esta realização é: a arrogância. Achamos que somos invencíveis, independentes, imbatíveis e protagonistas. Não somos. Nunca seremos.

Não importa os números que possam existir na nossa conta bancária, o nosso estatuto ou qualquer outro motivo irracional que nos impeça de enxergar que nós somos, e sempre seremos, animais que necessitam de se mover em manada, uns ao lado dos outros.

Quando um cai, o outro ajuda-o a levantar-se.

Quando um se perde, os outros vão em sua busca.

Quando um vence, os outros celebram a vitória como se tivesse sido sua.

Numa tribo não existe a palavra “eu”, apenas existe a palavra “nós”.

Vivendo numa capital de um país considerado de “primeiro mundo”, eu apercebo-me do quanto nos distanciamos das nossas origens. Tornamo-nos em pequenas ilhas que flutuam no mesmo lago. Estamos todos lá dentro, cada um a remar à sua maneira, ignorando o facto de que se saltássemos todos para o mesmo barco e começássemos a remar, a viagem tornar-se-ia muito mais fácil, fluída, excitante e faria tão mais sentido.

Na véspera de Natal de 1967, Martin Luther King Jr. fez um dos sermões que ficará para sempre na história da humanidade. Através das suas palavras, nós podemos ver como todos os instantes das nossas vidas se encontram inevitavelmente interligados. Aqui encontra-se parte desse sermão:

“Toda a vida encontra-se interrelacionada. Estamos todos presos numa rede inescapável de mutualidade, amarrados num único tecido do destino. O que afeta diretamente uma pessoa, afeta todas, indiretamente. Nós somos feitos para vivermos juntos devido à estrutura interrelacionada da realidade. Tu já paraste para pensar que não consegues sair de casa para o teu trabalho sem depender da maior parte do mundo? Tu levantas-te de manhã, vais tomar banho e pegas na esponja, que foi feita por um ilhéu do Pacífico. Depois agarras numa barra de sabão, que foi preparada pelas mãos de um francês. A seguir vais para a cozinha tomar um café, que foi moído por um sul-americano. Talvez queiras um chá, que foi produzido por um chinês. Ou talvez queiras um cacau quente, que foi torrado por um africano. Depois comes uma torrada, cuja farinha foi elaborada pelas mãos de um fazendeiro,para não mencionar o padeiro que preparou o pão. E antes de terminares o pequeno-almoço, tu já dependeste de mais de metade do mundo. Esta é a forma como o nosso universo está estruturado, esta é a sua qualidade de interrelação. Nós não vamos ter paz na Terra enquanto não reconhecermos este facto básico da estrutura de interrelação que existe em toda a realidade.”

Martin Luther King Jr.

(Tradução feita por mim)

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//Foto: corbis

Francisca Guimarães - Miss Kale

Francisca Guimarães

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