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O que distingue uma miúda gira de uma mulher bonita

Antiaging, Beleza, Corpo e Alma
8 Mar, 2016

“As pessoas bonitas não o são por acaso”.

Elizabeth Kubler-Ross

Não é fácil ser-se mulher, muito menos é fácil ser-se mulher no século XXI. As expectativas e exigências que nos são constantemente impostas pela sociedade, criam uma pressão à qual nos é difícil escapar. É esperada de nós uma lista infindável de competências e atributos e conquistas, e, entre o tanto que nos é exigido, há uma característica que creio desde sempre ter sido incontestável: a beleza.

Penso ser evidente que no mundo competitivo em que vivemos, a beleza continua a ser um privilegiado bilhete de entrada e livre acesso a…quase tudo, de facto. É triste, embora real, perceber que as qualidades que a nossa sociedade valoriza numa mulher continuam a ser as exteriores e que as consideradas “bonitas” têm prioridade sobre as “menos bonitas”. No entanto, a minha questão é: o que define a verdadeira beleza?

Recordo-me ser ainda adolescente e sentir já essa pressão. Muito frequentemente me diziam coisas como “é claro que ele está interessado em ti, tu és gira” ou “claro que te vão aceitar nesse trabalho, pois és profissional, és inteligente e, ainda por cima, gira”. Era como se me dessem a entender que ser “gira” era imprescindível e que, se eu o fosse, teria uma facilidade acrescida em mover-me no mundo e alcançar os meus sonhos e objetivos. Assim sendo, é claro que eu cresci ambicionando ser “gira”. Até que, mais tarde, vim a aperceber-me que ser uma “miúda gira” estava afinal longe de ser o que eu verdadeiramente desejava.

Tens a certeza que é “gira” que tu queres ser?

Do que mais se houve por aí, em conversas e comentários, quer entre homens quer entre mulheres, é “que miúda gira”, “a tua miúda é gira”, “ela é mesmo gira”, “achas que estou gira?”, “gira”, “gira” e gira mas é o disco e toca tudo outra vez! O que é facto é que “miúdas giras” não faltam. Elas existem aos magotes e facilmente as encontras por todo o lado. Ora são morenas ora são louras, ora altas ora baixas, ora com olhos azuis ora castanhos, mas todas “giras”.

Se reparares, ser-se “gira” é uma condição que depende principalmente de fatores genéticos. A mãe é gira, o pai giro é, logo, óbvio que a “catraia” também o será. Contudo, a experiência, mas acho que acima de tudo, a vida em si, veio ensinar-me que possuir certos traços faciais e uma determinada forma corporal não passa disso, ou seja, de uma imagem, que muitos podem considerar “bonita” ou “feia”. E o resto?

“Ela é gira, mas quando abre a boca, epá, estraga tuuudo!”

Tenho a sensação que muitas mulheres se acomodam a esse tal rótulo do “gira”, não sentindo qualquer interesse ou motivação em trabalhar-se a si mesmas como seres humanos, como pessoas, como mulheres. Para quê mais? Chega. Serve o propósito. E então, sem se darem conta, permanecem toda uma vida sendo apenas isso, “giras”.

A preocupação é ser-se “gira” e manter-se “gira”, nem que para isso precisem ser escravas das novas tendências, que incluem a maquilhagem, a roupa, os treinos físicos, as dietas e sabe lá Deus mais o quê. Mas será que nalgum desses momentos, entre as dietas e os bikinis, elas param para refletir sobre “em que tipo de mulher me estou a tornar?”

A questão é que muitas não são, nem nunca foram “mulheres”; apenas miúdas, giras.

Miúda vs. mulher

Uma miúda é alguém que tem o potencial para se tornar numa mulher. Não o é ainda, mas poderá vir a ser, se assim o desejar. É importante deixar claro que este contexto miúda vs. mulher não se encontra de maneira nenhuma relacionado com a idade, pois existem por aí muitas mulheres de 20 anos e muitas míudas de 40. A maturidade física não é aqui incluída, mas sim a emocional, a intelectual, a espiritual.

Uma miúda gira não passa de uma pessoa do sexo feminino que é considerada fisicamente atrativa. Ela ainda não amadureceu interiormente e, como tal, ainda é, na maioria das vezes, fútil, insegura, mimada, ingénua, submissa e com uma certa falta de consciência e sensibilidade perante a preciosidade da vida, perante o sofrimento do mundo, perante a magnificência do que é ser-se humano, e neste caso, mulher.

Uma miúda não sabe lidar com as adversidades da vida e, quando o precisa fazer, fá-lo à “peixeirada”, com as mãos nas ancas, aos gritos e berros, manifestando aos quatro cantos do mundo o quão a vida é injusta. Ela não sabe manusear a sua dor, muito menos a dos outros. Desconhece que o sofrimento pode ser uma excelente ferramenta de transformação, um instrumento capaz de a catapultar do estado de “miúda” para o estado de “mulher”, brindando-a com todas as maravilhas que essa condição tem para oferecer.

Mulher bonita

Uma mulher bonita é aquela que se deixou transformar pela vida e, principalmente, pelas tribulações que lhe são inerentes. É alguém que experienciou as profundezas do sofrimento e vulnerabilidade e tornou-se mais bonita por isso. Permitiu que as suas dores a moldassem, tornando-a numa mulher mais sábia, experiente, sensível, forte e, sem dúvida, bonita.

Uma mulher bonita mereceu a sua coroa e lugar no trono. E o caminho até lá não foi fácil, muito menos percorrido num tapete vermelho. Ela caiu no abismo e viu a sua escuridão. Ela sentiu a força tremenda do medo e uma desesperada vontade em sumir. Ela ruiu, mas volto a erguer-se. Ela regressou, com os joelhos esmurrados e lama na cara, mas com qualidades que até então nem sabia possuir.

Uma mulher bonita é…

elegante, apresentando uma graciosidade que se expressa inclusivamente nos momentos mais desafiantes. Ela pode sentir-se extremamente vulnerável e até mesmo furiosa, mas não perde nunca a postura.

corajosa, pois aprendeu a transcender o medo e a agir de acordo com aquilo em que acredita, mesmo que isso implique percorrer caminho sozinha.

serena, tendo encontrado a sua paz, não fora, mas dentro de si mesma.

magnética, irradiando um brilho único, uma energia cativante e encantadora, incapaz de passar despercebida.

íntegra, agindo sempre com honestidade, assertividade, senso de justiça e de acordo com os seus princípios morais.

sensível, expressando uma franca compaixão pela dor alheia.

feliz, não porque o mundo se tenha moldado a ela, ou às suas necessidades e caprichos, mas porque ela se moldou ao mundo, aprendendo a fluir pela misteriosa perfeição da vida.

Acredito que a verdadeira beleza provenha, não de linhas estéticas que se manifestem numa certa imagem, mas sim de uma energia interior que é esculpida pela própria existência, pelo dia-a-dia e seus desafios e, principalmente, pela maneira como decidimos lidar com eles. Esta energia potencial, existe dentro de cada uma de nós, esperando ser despertada pelo desejo de nos querermos tornar numa autêntica mulher.

As miúdas giras não são necessariamente mulheres bonitas, mas podem vir a ser, se assim o desejarem. E quando essa transformação ocorre, milagres acontecem.

“As pessoas mais bonitas que conhecemos são aquelas que estão familiarizadas com a derrota, com o sofrimento, com a luta, com a perda, e que encontraram o seu caminho de volta desde as profundezas. Estas pessoas têm uma apreciação, uma sensibilidade, e uma compreensão sobre a vida que as enche de compaixão, de ternura, e um carinhoso interesse pelos outros. As pessoas bonitas não o são por acaso”.

Elizabeth Kubler-Ross

Francisca Guimarães

Francisca Guimarães

"No blog, partilho dicas que te vão ajudar a estar bonita, saudável, jovem e cheia de energia."

 
 

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