O que te dirá a mulher selvagem que existe em ti?

Corpo e Alma
6 Nov, 2017

 

Há dias em que

sou mais loba do que mulher

e ainda estou a aprender a parar de me desculpar 

pelo meu lado selvagem.

Nikita Gill

 

Qual destas duas faces é que tu mais mostras ao mundo?

Em cada mulher existem duas faces que expressam duas energias distintas e que, apesar de opostas, estabelecem uma relação simbiótica entre si. Quando ambos os aspectos são aceites, integrados, respeitados e devidamente cuidados, eles podem expressar-se no mais belo, poderoso e sagrado feminino.

De maneira alguma estas energias deverão ser subestimadas, e muito menos reprimidas, sob a ameaça de virem a ter um efeito destrutivo sobre nós, sobre os outros e sobre a linhagem de mulheres que nos irá preceder.

A estes dois lados ou arquétipos, que coexistem em todas nós, eu carinhosamente chamar-lhes-ei a Menina bonita e a Mulher selvagem.

Passo a explicar…

A Menina bonita

A menina bonita é o nosso lado naturalmente luminoso e encantador, através do qual se expressam as nossas características mais positivas como alegria, generosidade e bondade. É a energia que mais aceite é pela sociedade, pois não a desafia, não retalia, nem muito menos estremece as suas estruturas.

Contudo, este aspeto, tão repleto de luz e inocência, facilmente se pode tornar numa falsa aparência, numa máscara sorridente que esconde e reprime a nossa verdade, a nossa essência e, acima de tudo, o outro lado que também existe cá dentro – o sombrio ou, como lhe gosto de chamar, a Mulher Selvagem.

O lado luminoso deixa de brilhar no momento em que silenciamos as nossas crenças, os nossos valores, a nossa personalidade, os nossos sonhos, o nosso amor-próprio e auto-respeito, assim como as nossas emoções, inclusivamente as negativas.

De maneira a recebermos o amor, a aprovação e aceitação por parte dos demais, muitas vezes reprimimos a nossa verdadeira essência e o nosso lado selvagem, tornando-nos apenas em meninas bonitas, adoráveis e boazinhas.

Logo, e para que conste:

A menina bonita não rosna.

menina bonita não chora.

menina bonita não bate com a mão na mesa nem com o pé no chão.

menina bonita diz sim, mesmo quando quer dizer não.

menina bonita segue todo o protocolo, dito pela sociedade, sem questionar, duvidar e, muito menos, criticar.

menina bonita não se rebela. Jamais.

A menina bonita é a face que a mulher procura mostrar ao mundo, pois sabe que, desta maneira, será aceite, amada e valorizada – inocentemente acha ela, note-se.

 

A Mulher Selvagem

A Mulher Selvagem é o nosso lado rebelde, indomável e livre; aquele que não se deixa prender pelas amarras dos outros, que luta por aquilo em que acredita e que, em momento algum, atraiçoa ou desrespeita a sua essência.

Ela é destemida, independente e feroz e isso é o que mais assusta e intimida os que por ela passam. Ela é incondicionalmente fiel a si mesma e à sua verdade e tudo fará para alcançar o seu propósito, mesmo que isso implique percorrer caminho sozinha.

Ela é selvagem, mas ela é fascinante.

A Mulher Selvagem espelha o nosso lado mais profundo, misterioso e sombrio. As suas raízes são extensas e a sabedoria que traz consigo é ancestral, passada em mãos por tantas outras gerações de Mulheres Selvagens.

No entanto, e apesar desta mulher trazer à luz o nosso lado mais obscuro, ela não é de maneira alguma negativa ou . Nada disso. Ela é simplesmente uma das energias que habita em nós e que manifesta a nossa Natureza mais animal e instintiva. Ela é a mulher-loba que tudo fará para proteger as suas crias, mesmo que isso implique rosnar, morder e atacar.

Ela age com mestria e uma inabalável coragem, levando sempre no seu coração a compaixão, pois mesmo quando ela ataca, ela fá-lo com amor e com justiça. Contudo, esta Mulher Selvagem, linda e pura é uma espécie que se encontra em extinção.

A domesticação da Mulher Selvagem

De acordo com a cultura Tolteca, defendida pelos astecas, a percepção que temos da realidade é condicionada pelo que eles chamam de domesticação, que consiste em todas as influências externas que recebemos por parte do meio onde vivemos, nomeadamente de quem nos é mais próximo como a família, professores, amigos, colegas, companheiros e media.

Desde logo, e de maneira contínua, recebemos instruções sobre o que fazer e o que não fazer, o que ser e o que não ser. Somos ensinadas, ou domesticadas, a ser um modelo de mulher-cidadã que encaixe nas preferências de uma sociedade que valoriza e prioriza as Meninas bonitas.

O mundo domesticado não criou espaço para a Mulher Selvagem. Ela é demasiado livre, forte e independente. Ela é inteligente, sabe pensar e, pior, ela sabe agir sem medo ou hesitação. Este mundo conhece a força da Mulher Selvagem e, deste modo, prefere silenciá-la e afastá-la da tribo.

Este aspeto indomável que habita dentro de cada mulher é, na maioria das vezes, reprimido, principalmente, por nós mesmas. E, como acontece com todo o tipo de energia que não consegue fluir, ela acaba por se ir apagando, estagnando e criando bloqueios energéticos que, mais tarde, se manifestarão em desequilíbrios – do foro físico, mental e emocional.

O que a Mulher Selvagem que existe em ti tem para te dizer

Mulher Selvagem habita dentro de ti; dentro de todas nós. Ela quer respirar, ela quer ver a luz do dia mas, mais do que tudo, ela deseja ser livre.

Esta energia original e primitiva encontra-se indissociavelmente conectada com a tua essência e com a tua sabedoria interior; é o teu lado mais profundo, precioso e sagrado. E, de uma coisa podes estar certa, no momento em que tu libertas a tua Mulher Selvagem, milagres acontecem; e acontecem porque tu entras em sintonia com as frequências vibratórias mais altas do Universo, aquelas que têm o poder de transformar o mal em bem, a escuridão em luz, o ódio em amor e o medo na mais poderosa das forças.

Para conseguires sentir a inigualável liberdade, força e amor pela qual vibra esta energia maravilhosa, antes de mais tu precisas conectar-te com ela; com a tua Mulher Selvagem. E, acredito que a maneira mais simples e eficaz de o fazer seja através da escrita.

Pega num papel e numa caneta e senta-te num lugar tranquilo. Se puderes, faz esta prática logo após despertares ou antes de adormeceres, uma vez que, nestes momentos, encontras-te num estado de consciência mais elevado.

A finalidade deste exercício é tu entrares em contacto com o arquétipo da Mulher Selvagem que existe dentro de ti e dialogares com ele. Eu sei que é algo estranho, mas sugiro que te entregues e confies no processo. Afinal de contas, nós só evoluímos quando nos abrimos ao desconhecido.

Responde então às seguintes questões, escrevendo de maneira livre e sem pausas:

Quem és tu (Mulher Selvagem)?

De que maneira te expressas na minha vida?

Sentes-te reprimida? Se sim, como te posso libertar?

Como me podes ajudar?

Que mensagem tens para mim?

O que preciso fazer para permanecer em contacto contigo?

A escrita-livre é uma das maneiras mais simples e incríveis de aceder à nossa sabedoria interior, aquela que tudo sabe e tudo conhece.

Espero que esta prática te ajude a aceder à tua Mulher selvagem e, principalmente, a soltar todas as amarras que a poderão estar a impedir de ser livre, hoje, amanhã e para sempre.

***

Dedico este artigo à Mulher Selvagem que existe em todas nós.

Eu curvo-me perante a sua grandiosidade.

Que seja para sempre um espírito livre e magnífico.

Em Amor e Luz.

F.

Francisca Guimarães

Francisca Guimarães

"No blog, partilho dicas que te vão ajudar a estar bonita, saudável, jovem e cheia de energia."

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