Como saber (sobre)viver o papel de mãe

Corpo e Alma
10 Dez, 2014

A maternidade é uma das experiências mais marcantes na vida de uma mulher. Para além de todas as alterações fisiológicas que ela sofre neste momento da sua vida, a sensação de desamparo, vulnerabilidade e confusão pode surgir afetando o seu bem-estar e o do bebé, assim como a relação que estabelece com ela mesma e com as pessoas que a rodeiam.

De maneira a responder a este cenário, que poderá ser bastante impactante, um pequeno grupo de mães decidiu criar um blog, MãeMequer, e (re)uniões semanais de partilha. Nestes encontros, perguntas e dúvidas são respondidas e o espírito de entreajuda encoraja as mulheres nesta maravilhosa, embora por vezes algo assustadora, fase de vida.

Eu tive a oportunidade de ser convidada a participar num dos seus encontros e fiquei absolutamente encantada com a compaixão, autenticidade, não-julgamento e união que se respira naquele espaço. Se eu fosse mãe, não perderia uma única (re)união!

Lê a entrevista e fica a conhecer mais sobre a filosofia destas (re)uniões assim como as dicas que a Rita e a Ângela partilham com quem estiver interessado em criar este género de encontros.

 

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Uma das reuniões do grupo “MãeMequer”. Eu estive presente, como convidada, e foi uma experiência maravilhosa. A Ângela encontra-se à minha direita e a Rita à direita da Ângela.

 

COMO SURGIU A IDEIA QUE ESTÁ POR DETRÁS DESTA INICIATIVA?

(Ângela) – Esta ideia surgiu de um conjunto de mães conhecidas e outras que se vieram a conhecer durante o período da gravidez e pós parto, que tinham a vontade de partilhar e questionar experiências relacionadas com a maternidade. Começou por ser um encontro em casa de cada uma de nós que na altura fazia parte e depois passamos a encontramo-nos sempre no espaço “Mãe Me Quer”, no Estoril, porque os encontros passaram a ser semanais. Há 6 anos que nos juntamos todas as quartas-feiras das 11:30 às 13:30.

QUAL A VOSSA FILOSOFIA?

(Rita) – A filosofia do grupo baseia-se nas seguintes ideias: quando nos juntamos e partilhamos o nosso sentir transformamo-nos e saímos sempre dos encontros mais tranquilas, mais confiantes e menos sozinhas; aceitação, respeito e acolhimento – queremos que, independentemente dos motivos que as trouxeram, as mulheres sintam que este espaço é delas e para elas e que podem ser quem são, sem julgamentos ou imposições de estilos de vida, valores ou crenças.

(Ângela) – Mulheres (e filhos) que falam em círculo, ouvindo, testemunhando, comunicando através do exemplo, reagindo, respeitando, aprofundando, refletindo, rindo, chorando, sofrendo, experienciando, partilhamos a sabedoria da experiência.

COMO FUNCIONAM OS VOSSOS ENCONTROS?

(Rita) – Os encontros acontecem num dia da semana e num horário fixo. A maior parte das semanas fluem de acordo com as pessoas que estão presentes: falamos dos filhos, do trabalho, das frustrações, das alegrias das conquistas, pedimos ajuda para os desafios e para as dificuldades. Por vezes convidamos pessoas para virem falar sobre o que sabem e temos encontros temáticos especiais. Em todos os encontros podemos entrar e sair quando nos apetece. Não há obrigatoriedade de presença regular ou de quantidade de tempo para ficar.

DE ACORDO COM A TUA EXPERIÊNCIA, QUAIS AS QUESTÕES QUE MAIS PREOCUPAM A MAIORIA DAS MÃES?

(Ângela) – Diria que há dois caminhos de questões que preocupam as mães nos nossos encontros igualmente importantes. Questões que focam um lado mais profundo: sobre o que é ser mulher e mãe; os valores e intenções que queremos dar às nossas vidas; como construir o nosso caminho espiritual. Questões mais do dia a dia da nossa rotina, quero novamente frisar que por serem rotina são tão importantes como as questões anteriores: escola; gravidez consciente; parto; amamentação; dormir; alimentação saudável; “birras”; saúde.

(Rita) – Habitualmente, as conversas à volta destes (ou de outros temas) passam por uma partilha de estratégias ou pensamentos e reflexões de quem já passou pelo mesmo e por uma identificação que ajuda a diminuir a sensação de estar sozinha com aquela dificuldade. No fundo, independentemente de se manifestar nas preocupações concretas com o sono ou a alimentação ou o comportamento, a grande preocupação é ‘fazer “tudo” bem’. E essa grande preocupação leva habitualmente à insegurança e ao cansaço.

QUAL A IMPORTÂNCIA DAS MÃES SE REUNIREM E PARTILHAREM EXPERIÊNCIAS E EMOÇÕES?

(Ângela) – A importância?! Toda. Sim, é muito bom ter uma licença de maternidade de 6 meses quando os nosso vizinhos espanhóis têm 2 meses, mas também poderíamos ter 2 anos como os nórdicos, mas a questão está na forma individualista como hoje vivemos (cada vez menos comunitária). E, ser mãe/pai implica aceitar ajuda e ter apoio, pois nem sempre a família ou os amigos são suficiente. Quando vens a um encontro parece que lês um livro de 300 páginas, e ainda levas com abraços, sorrisos de aceitação.

Toda, porque nestas reuniões e partilhas vamos para além do suporte à mulher enquanto grávida e mãe. Aqui neste espaço somos acima de tudo mulheres que querem evoluir no seu caminho e descoberta do EU.

QUE CONSELHO DARIAS A QUEM POSSA ESTAR A PENSAR CRIAR UM PROJETO SEMELHANTE?

(Rita) – O melhor conselho é que comece! Quando iniciámos o grupo, definimos uma regra que provavelmente teve muito peso no facto de ele continuar a existir: desde que estejamos duas já há encontro. Há dias em que estamos 10 ou 12, há dias em que estamos 3 ou 4. Não interessa. Duas pessoas já conversam e já se transformam. Outras ideias que podem ajudar são:

– pensar no local – nós começámos por nos encontrar em casa umas das outras e isso também era divertido e especial – com um espaço dedicado é mais fácil assegurar a continuidade, mas o facto de ele não existir não pode ser impedimento para colocar em prática esta ideia!

– pensar na periodicidade – quando dizemos que os encontros acontecem semanalmente as pessoas acham um exagero, no entanto há alturas na vida em que as mães até precisavam que fosse diário, por isso nunca é demais – ou então podemos estar 2 ou 3 semanas (ou mais) sem vir, mas ao fazer o convite semanal assegura-se uma continuidade e uma ligação que num espaço mensal ou quinzenal se perdem.

UMA MENSAGEM.

(Ângela) -Encontra-te. REencontra-te. Respira em comunidade.

 

Se quiseres conhecer mais sobre este grupo de mães, visita o blog delas: MãeMequer.

 

Partilha esta entrevista com mulheres que talvez possam necessitar deste tipo de apoio.

Francisca Guimarães

Francisca Guimarães

"No blog, partilho dicas que te vão ajudar a estar bonita, saudável, jovem e cheia de energia."

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