A coisa mais importante que o meu bebé me ensinou sobre a vida

Corpo e Alma
21 Abr, 2017

Os nossos filhos são os nossos maiores pequenos mestres.

Na semana passada, o meu filho Francisco completou um ano de vida e, se és mãe, sabes que esta é uma data memorável e vivida com entusiasmo, alegria e, possivelmente, com algumas lágrimas de emoção também!

Dizem que o primeiro ano de vida do bebé é o mais desafiante. Concordo. O cansaço da gravidez, do parto, das tantas noites sem dormir, da amamentação; assim como também a adaptação à nova vida, que nunca mais será a mesma, faz com que esta seja uma altura difícil e extremamente cansativa. E, chegar ao final desse ano, olhar para trás e reconhecer todo o esforço e caminho percorrido, é realmente gratificante. Sobrevivemos ao primeiro ano! Yuhuuu!

O nascimento

Acredito que, no momento do parto, existam uma morte e dois nascimentos: a morte da mulher que antes eras; o nascimento do teu filho e o teu renascimento, desta vez, como e. Aliás, esta é uma das explicações subjacentes ao síndrome do baby blues – realmente experiencias um luto, da mulher e da vida que ficaram para trás.

O nascimento do teu filho desencadeou em ti uma profunda transformação – no teu corpo, na tua mente e no teu espírito – que se irá manifestar, essencialmente, na maneira como percepcionas a realidade. Tu não és a mesma e, por consequência, também a tua vida não o será. A tua energia mudou e, por isso, também tudo aquilo que te rodeia, inclusivamente as relações que antes tinhas com a tua família, com os teus amigos e, principalmente, com o teu companheiro.

As pessoas acham-te diferente; e estás.

Nada voltará a ser o que era. Na minha opinião, nem melhor nem pior, apenas diferente; embora definitivamente com mais encanto, alegria, amor e, claro, muitas fraldas e papas à mistura!

A coisa mais importante que o meu bebé me ensinou sobre a vida

No final do seu dia de aniversário, após o Francisco ter adormecido, preparei um chocolate quente, sentei-me no sofá, peguei num papel e numa caneta e escrevi todas as coisas pelas quais me sentia agradecida relativamente àquele último ano.

Para além de uma série de momentos especiais que a minha memória foi resgatando, essa lista de gratidão enumerava sobretudo coisas que o meu bebé me tinha ensinado. Naquele instante, mergulhada em nostalgia, dei-me conta de como ele me fez crescer e desenvolver características que acredito serem essenciais num ser humano, principalmente se mãe.

Reconheço que foram vários os ensinamentos que o Francisco – o meu Budinha, como lhe costumo chamar – me proporcionou. Porém, irei partilhar contigo aquele que considero ser o mais importante – a compaixão.

Compaixão

Essencialmente, compaixão significa “sofrer com”. Reconhecermos a dor do outro, dar-lhes a mão e dizer-lhes: não estás sozinho; eu estou aqui contigo e, juntos, vamos enfrentar esta tormenta.

Sinto que a minha compaixão, em relação ao Francisco, despertou no momento em que verdadeiramente procurei colocar-me na sua posição. Imagina que, de um dia para o outro, despertas num lugar que te é absolutamente desconhecido. Tudo é estranho. As luzes, os cheiros, os sons, as diferenças de temperatura, os seres que lá habitam e que, por razões que ignoras, pegam em ti ao colo, enchem-te de beijos e dizem-te coisas que tu não percebes. Naturalmente sentir-te-ás assustada, desprotegida e insegura.

O aconchego e sensação de segurança, aos quais estavas acostumada, simplesmente desaparecem. Frequentemente dói-te a barriga, custa-te adormecer e, para comunicares o teu desconforto, precisas de abrir a boca e gritar desesperadamente!

Mais, amiúde, és separada da única pessoa que te é conhecida, a tua mãe. E, em vez de te darem a oportunidade de fazeres uma adaptação lenta e gradual a este novo lugar, permitindo-te passares todo o tempo de que necessitas próximo dela, colocam-te em cadeiras, carrinhos e alcofas, com medo que te tornes demasiado mimada. Ufa, não deve ser fácil!

Não só esta atitude de compaixão criou uma maior proximidade entre mim e o meu bebé, como também se expandiu para os outros. A sensibilidade e instinto maternal que espontaneamente se desenvolveram em mim, após ter sido mãe, permitiram-me enxergar e lidar com a dor alheia com outros olhos. Há muito sofrimento no mundo, inclusivamente no coração daqueles nos são mais próximos e que, frequentemente, é vivido em silêncio e solidão.

Acredito que a compaixão – que implica também humildade, generosidade e sensibilidade – seja uma característica inerente a todos nós. Contudo, necessita ser ampliada e praticada; hoje, amanhã e sempre.

Seres compassiva, pode refletir-se em coisas simples, tais como: escutares o outro com atenção, entrega e sem julgamento; colocares-te mentalmente na sua posição, refletindo sobre o que estará a sentir; falares com ternura; tentares perceber se há algo que tu possas fazer para o ajudar (desde que com o seu consentimento, claro); e, acima de tudo, estares presente. Aliás, acredito que uma das melhores maneiras de ajudarmos alguém é precisamente oferecendo-lhe a nossa presença.

Ao desenvolveres em ti a energia de compaixão, facilmente reconheces a aflição do próximo, tendo a oportunidade de te aproximares dele, dares-lhe a tua mão e dizeres-lhe: tu não estás sozinho; eu estou aqui contigo e, juntos, vamos enfrentar esta tormenta.

Obrigada, Francisco, por estares a ser o meu maior pequeno mestre, nomeadamente, no que diz respeito à compaixão.

Eu e o Francisco no dia do seu primeiro aniversário.

 

Fotografias por: Dreamaker

 

Francisca Guimarães

Francisca Guimarães

"No blog, partilho dicas que te vão ajudar a estar bonita, saudável, jovem e cheia de energia."

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